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Sexta-feira, 12 de outubro de 2007 |
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| Correio Braziliense |
| Álcool é ameaça, diz ONU |
| Luciano Pires |
O relator da Organização das Nações Unidas (ONU) contra a Fome, Jean Ziegler, acusa o Brasil de estar "desmatando a Amazônia e acabando com o Centro-Oeste" ao plantar cana-de-açúcar para a fabricação de etanol (álcool combustível). Ontem, em Genebra, o relator das Nações Unidas convocou a imprensa internacional para denunciar os biocombustíveis como uma das principais ameaças ao direito à alimentação nos próximos anos no mundo e pedir uma moratória de cinco anos na produção do etanol.
"A transformação das terras agrícolas para o cultivo de produtos que servirão para o etanol é uma catástrofe", disse. "Até 2010, as estimativas são de 26 milhões de hectares de terras no mundo estejam plantadas com cana, milho ou outro produto usado no etanol", disse. No dia 25, Ziegler apresenta à Assembléia Geral da ONU sua avaliação sobre o etanol e uma votação sobre o documento poderá ocorrer. Além disso, o relator quer que o tema seja alvo da atenção mundial no próximo dia 16, quando a ONU comemora o dia internacional do direito â alimentação.
"O etanol não gerou desenvolvimento no Brasil nos últimos 30 anos", afirmou. O governo já havia respondido às acusações, alegando que a tese de Ziegler não é correta. "Eu insisto: o etanol gera menos postos de trabalho que a agricultura familiar. Em um país que precisa desesperadamente criar empregos, portanto, o etanol não é a saída. Estamos criando um desastre com o oceano verde de cana que está sendo plantado no Brasil", afirmou
O problema, segundo ele, é que essas terras deveriam ser usadas para a produção de alimentos, hoje encarecidos supostamente por conta da inflação gerada pelo etanol. "O que vemos é a possibilidade de que a fome em muitas regiões seja agravada", disse. A idéia de Ziegler é de que, com uma moratória de cinco anos, o direito à alimentação não seja afetado e que, durante esse período, uma segunda geração de biocombustíveis seja criada. Segundo ele, o número de famintos no mundo chega a 854 milhões de pessoas.
Exportação A Rússia tem interesse em comprar álcool brasileiro. A informação é do vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Mato Grosso (Famato), Rui Prado. Ele e outros representantes estaduais de setores do agronegócio estão na Rússia para tratar de questões comerciais. A comitiva é liderada pelo governador Blairo Maggi. "Os russos se mostraram interessados em comprar álcool. Nós também apresentamos o nosso potencial de produção de carne, soja e algodão, produtos pelos quais eles têm uma grande demanda", afirmou Prado. A informação é da assessoria de imprensa da Famato.
Ontem, os brasileiros reuniram-se com empresários que importam carne do Mato Grosso. Hoje, os russos são os maiores importadores da carne bovina in natura do estado. Entre janeiro e agosto deste ano foram exportados US$ 78,945 milhões, valor FOB, o que corresponde a 22% do total comercializado com outros países. O segmento soja ocupa o segundo lugar com US$ 32 milhões, 21,68% do que foi exportado para a Rússia nos oito primeiros meses de 2007. Ontem, eles reuniram-se com o diretor e subdiretor do Departamento de Cooperação Internacional do Ministério da Agricultura da Federação Russa, Andrey Vershinin e Vadim Demiyanenko. |
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