Quarta-feira, 17 de outubro de 2007
           
  

Correio Braziliense
Skidmore critica tour presidencial
Rodrigo Craveiro

Wanderlei Pozzembom/CB - 6/5/03
Fuga política"O cara quer ir a todos os lugares. Algumas vezes parece que ele (Lula) deseja fugir de Brasília e dos problemas políticos"Thomas E. Skidmore, brasilianista norte-americano
 
"Lula é como se fosse um inseto viajante." A declaração do historiador e brasilianista norte-americano Thomas Elliot Skidmore ao Correio se baseia em estatísticas. Somente este ano, o presidente brasileiro visitou 24 países — média de uma nação a cada 10 dias. Até o dia 25 de setembro, Lula tinha ficado fora do país em 46 (17,2%) dos 268 dias do ano. Em 2005, ele viajou 206.883km a bordo do avião da presidência, distância equivalente a 5,16 voltas ao redor do planeta pela Linha do Equador. "O cara quer ir a todos os lugares. Algumas vezes parece que ele deseja fugir de Brasília e dos problemas políticos", afirmou Skidmore.

O historiador de 75 anos assegura que a África não é um continente de grandes oportunidades comerciais para o Brasil. "Lula é um pernambucano que goza das viagens pelo mundo, e seu tour internacional o faz ter mais visibilidade que seus antecessores", disse Skidmore. "A viagem à África é muito mais um show", acrescentou. Para ele, a prosperidade econômica do Brasil pode se transformar em progresso se o Estado priorizar investimentos em tecnologia e educação.

Em relação à Rodada de Doha, Skidmore afirmou que o Brasil desempenha bom papel, ao liderar uma campanha contra os EUA na Organização Mundial do Comércio. O brasilianista culpou a agricultura por travar as negociações. "Boa parte dos produtos exportados dentro de Doha pertence a países que não estão propensos a fazer concessões por razões internas", explicou Skidmore. "As áreas rurais na França, Reino Unido e EUA têm grande poder eleitoral, e os líderes não podem aceitar perder subsídios agrícolas das commodities de exportação", emendou. (RC)