Domingo, 13 de janeiro de 2008
           
  

O Estado de S. Paulo
Projeções do Ipea terão margem de tolerância
Da Redação

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) está mudando sua metodologia de projeções, que deixarão de ser pontuais, e passarão a ser feitas no sistema de faixas. A razão da medida, segundo João Sicsú, diretor de Estudos Macroeconômicos do Ipea, "é revelar o quanto os economistas desconhecem da realidade".

Na projeção por faixas, em vez de o Ipea prever que o Produto Interno Bruto (PIB) crescerá, por exemplo, 5% em 2008, o prognóstico será de que a expansão deve variar dentro de um intervalo. O novo sistema começará em março de 2008, mas o tamanho das faixas, que depende de ajustes em modelos econométricos, ainda não está definido. Segundo Sicsú, as faixas têm de ser grandes o suficiente para dar conta da dificuldade de conhecer o futuro, mas pequenas o suficiente para terem alguma utilidade.

Para Ilan Goldfajn, diretor da Ciano Investimentos e ex-diretor do Banco Central (BC), toda previsão econômica embute uma margem de tolerância, por questões estatísticas. Além disso, observa que as projeções partem de pressupostos conhecidos ou previsíveis, mas são freqüentemente atropeladas pelos chamados "choques", que são exatamente fatos, ou a intensidade de algumas tendências, que ninguém ou quase ninguém previu.

Na área externa, segundo José Augusto de Castro, vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), a grande surpresa foi a força das commodities em 2007, mesmo depois de toda a valorização dos anos anteriores. No início do ano passado, a previsão da AEB era de exportações e importações em 2007 de, respectivamente, US$ 138 bilhões e US$ 102 bilhões, muito aquém do que foi registrado.