Quinta-feira, 6 de setembro de 2007
           
  

O Estado de S. Paulo
Crise não afeta o comércio exterior
Da Redação

Em que medida a turbulência do mercado financeiro internacional afetou o comércio exterior brasileiro? A resposta mais convincente a essa pergunta se encontra no fluxo cambial divulgado ontem pelo Banco Central. Ele mostra um resultado negativo de US$ 39 milhões para o setor financeiro, em agosto, o primeiro desde janeiro. Já o segmento comercial registra um fluxo positivo de US$ 6,880 bilhões. Esses números indicam que, nos próximos meses, a saúde cambial do Brasil poderá depender do comércio exterior.

Os resultados da balança comercial - que não podem ser confundidos com os fluxos cambiais, pois consistem apenas no movimento registrado pela alfândega, sem levar em conta as operações financeiras que sustentam o comércio com o exterior - eram esperados com grande interesse.

Levando em conta a média por dia útil, as exportações e as importações de agosto representam um recorde histórico, embora as exportações tenham crescido 2,3% em relação a julho e as importações, 2,7%.

Esses resultados não devem surpreender, já que, se a desvalorização do real deveria favorecer as exportações e conter as importações, também é fato que esse efeito não é imediato, só se verificando depois de algum tempo.

O crescimento das exportações se deve essencialmente a uma elevação de preços que, no primeiro semestre,foi de 9,1% para os produtos básicos, de 16% para os semimanufaturados e de 8,1% para os manufaturados. Houve ainda um recorde de aumento das exportações de produtos básicos em volume: 11,3%. Em agosto houve um forte crescimento das exportações de milho em grão e de minério de cobre.

O aumento das importações foi sustentado pela contratação de câmbio - que foi um recorde histórico -, mostrando que as empresas aceleraram o ritmo das importações, temendo uma maior desvalorização. A elevação das importações teve sua fonte principal no preço do trigo, mas foi, em parte, compensada pela redução do preço do petróleo. Note-se que, no comércio com a China, o Brasil teve um déficit de US$ 182 milhões em agosto, ante um superávit de US$ 393 milhões com os Estados Unidos.

Só dentro de dois ou três meses poderão ser mais bem avaliados os efeitos da perturbação do mercado financeiro sobre o comércio exterior. As perspectivas não são favoráveis, tendo-se em conta um recuo do crescimento nos Estados Unidos, na União Européia e no Japão.